Arquivo mensal: abril 2012

Homenagem ao Professor Pethö Sandor

Sábado último, dia 28/04/12, prestou-se  uma singela e emocionante homenagem ao Prof. Pethö  Sandor, na PUCSP.
Foi uma grande alegria estar presente a este encontro. Ocasião de rever amigas e amigos, colegas de longa data, que tem em comum não apenas a formação profissional recebida deste grande mestre, mas também uma determinada postura diante da vida e no trato com a Psicologia e sua prática. Esta postura:

  •    considera o ser humano em sua inteireza
  •    tem uma visão integral da saúde que inclui corpo, alma (ou psique) e espírito
  •    tem uma visão holística do estar no mundo que inclui a consciência social e ambiental de forma universal.

O Prof. Sandor nos ensinou a tocar o outro e ser receptivo ao seu toque.
Ele nos ensinou a tocar e ser tocado, tanto no sentido literal da palavra -criador que foi de uma linha de trabalho em psicologia que integra as técnicas de Abordagem Corporal à Psicoterapia de base Junguiana  (C. G. Jung) –  como no sentido mais amplo do termo: viver com a alma, tocando profundamente a alma do outro, e ao mesmo tempo se deixando tocar, sem medo ou resistências indevidas, pelas outras pessoas e pelo mundo à nossa volta

Nesta homenagem, os  antigos alunos de Sandor foram convidados a apresentar em posters o fruto de seus estudos, trabalhos clínicos e intervenções.
Estive presente com 3 posters:
O 1º apresenta uma Monografia sobre o Método da Calatonia

O 2º pôster apresenta o trabalho no Espaço Animarte, trabalho que nos últimos anos, veio se somar à minha atuação como Psicoterapeuta em consultório.


O 3º pôster, trata de uma pesquisa acadêmica realizada pelo Grupo de Pesquisas Khalaó do qual fiz parte.


A apresentação destes posters, foi uma forma de expressar ao mestre a nossa gratidão, na forma de uma pequena retribuição.

 

Se algum visitante deste blog tiver dificuldade em ler os posters, deixe um comentário para que eu possa enviá-lo diretamente para seu email.

 

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Orixá Ogum, arquétipo do guerreiro

23 de Abril, é o dia consagrado ao Orixá Ogum.
Ogum, na Mitologia Afro-brasileira é o arquétipo do guerreiro

Na cultura popular brasileira, esta mitologia está viva, e se faz presente no cotidiano das pessoas, no imaginário popular, das mais diversas formas. Muito mais presente que a mitologia greco-romana, de origem europeia, hoje domínio dos cultos.
Como sabemos, em nosso país, a mitologia dos orixás foi sincretizada com a mitologia do catolicismo popular através do seu panteão de santos. Isto aconteceu, em parte para evitar a perseguição do Estado (que aqui foi fortemente influenciado pelo poder da Igreja Católica ao longo da nossa história) e em parte porque  esta mesma fé cristã, tão disseminada em nosso país, penetrou profundamente na alma dos negros, brancos, pardos ou mulatos, herdeiros culturais desta mitologia africana.
Na cultura brasileira, Ogum é São Jorge. Santo guerreiro, vencedor do Mal.
É invocado e reverenciado como um grande protetor que impede que “facas e lanças” atinjam seus protegidos. Impede também que “cordas e correntes” possam prendê-lo!
Para este Brasil “branco, preto e mulato” (como dizia Vinícius de Morais), não importa o nome que o santo tenha: Ogum ou São Jorge.

Basta que nos proteja!

O povo, em sua sabedoria, busca algo que transcende os nomes, busca a essência. Busca o arquétipo do guerreiro: forte, incansável e destemido. Capaz de vencer todo o Mal! E pede a sua proteção.
Não à toa, São Jorge/Ogum é o padroeiro de um dos times de futebol mais populares do Brasil: o Corinthians. E a sua “Fiel” torcida, capaz de esperar 20 anos pela conquista de um campeonato, expressa fielmente mais uma qualidade deste santo guerreiro: a sua persistência e determinação.
Como herança psíquica da espécie humana, o arquétipo do guerreiro (assim como outros arquétipos) está presente na alma de todos nós.
Apenas precisamos nos relacionar com ele.
James Hillman, grande teórico da psicologia arquetípica disse: (no homem moderno) os deuses (desacreditados) se tornaram doença…
Melhor então, entrar em contato consciente com estes grandes poderes (deuses ou arquétipos) que atuam em nós.

Ogum em mim se expressa como um guerreiro espiritual: 

aquele que sabe que o inimigo mais poderoso está dentro e não fora de nós.

Sua espada é luz: consciência.
Por isso dispensa escudo.
Brande  sua espada com as duas mãos: a mão do Rigor e a mão da Graça. E dança! Dança porque a vida…  é fluxo contínuo.
Dançando me impregna de Força, Coragem e Determinação.

E você que me lê: conhece o seu Ogum? Conhece o arquétipo do guerreiro que se expressa em você?
Se não conhece, busque conhecer.
Acessar e ativar este poder dinâmico capaz de impulsioná-lo até a Vitória das vitórias: a plena realização do ser.

Saravá meu Pai Ogum!
Ogunhê meu pai!

Se você se interessa por Mitologia Afro-brasileira e Psicologia Junguiana, vai gostar do livro: Ori Axé, a dimensão arquetípica  dos Orixás. José Jorge de Morais Zacharias. Ed. Vetor

Reaprendendo a relaxar

Em minha prática profissional, quando propunha aos clientes sessões de relaxamento, muitas vezes ouvia:

“Comigo não adianta. Eu não consigo relaxar”

Justamente estas pessoas são as que mais se beneficiam deste tipo de atendimento porque, acredite…

Relaxar, a gente aprende!
Ou melhor…
Re-aprende!

A este processo de reaprender a relaxar, damos o nome técnico de Recondicionamento Psicofisiológico.
Há pelo menos 100 anos, médicos, psicólogos e outros profissionais que atuam na área da saúde, vêm criando e pesquisando, de forma sistemática, técnicas capazes de produzir o estado de relaxamento.
Nos últimos 30 anos foi notável o desenvolvimento nesta área: inúmeras técnicas foram criadas e muitas pesquisas têm sido realizadas.
Porque tanto interesse e tão grande esforço de pesquisa?
Nossa sociedade moderna complexa, exigente e “urgente” deu ao Stress um duplo status: “Epidemia Mundial” (classificação da OMS) e “Doença do século XX” (declaração da ONU).

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o stress está associado a sete entre as dez principais causas de morte em países desenvolvidos.

  •    O stress (ou estresse) é extremamente danoso para a saúde física!

Mas não apenas para ela.

  •    O stress prejudica a memória, a rapidez e clareza mental.
  •   Compromete profundamente o de bem estar, realização e equilíbrio emocional dos indivíduos.
  •   Dificulta tremendamente a habilidade de manter vínculos afetivos duradouros e desenvolver relações saudáveis na vida pessoal ou profissional.

Dito de outra forma, o stress prejudica a nossa saúde de forma global: física, mental, afetiva/emocional e social.
Mas, como dissemos acima, nos últimos 30 anos, uma grande quantidade de técnicas de relaxamento foram criadas e testadas porque elas constituem a melhor e mais rápida resposta aos quadros de stress.
Numa série de sessões de relaxamento – Recondicionamento Psicofisiológico – várias destas técnicas podem ser utilizadas de forma a encontrar aquela mais adequada a cada cliente.

A pessoa reaprende a relaxar!

Na medida em que o cliente aprende e domina a técnica, através da prática, ele não mais necessita das sessões de relaxamento com a terapeuta.

Pode praticar o relaxamento em sua própria casa.

E, integrando este novo hábito à sua vida cotidiana, certamente terá uma melhor qualidade de vida e saúde integral.

Querido Mestre

Conheci o prof. Pethö Sandor em 1971 na PUCSP.
Ele era professor de uma disciplina de Psicologia Profunda no 2º ano do Curso de Graduação em Psicologia.
Eu, jovem de 18 anos, fui sua aplicada aluna.
Em suas aulas entrei em contato com a Psicologia Analítica de C. G. Jung – paixão à 1ª vista (ou, melhor dizendo, à 1ª leitura), que se consolidou como um amor de vida inteira!
Foi um grande privilégio conhecer o prof. Sandor tão cedo em minha vida. Permaneci ao seu lado pelos próximos 20 anos, bebendo desta fonte aparentemente inesgotável de conhecimentos teóricos e sabedoria de vida.
O que aprendi com Sandor nos inúmeros grupos de estudo, no curso de Cinesiologia Psicológica (o meu durou quase 4 anos!) e nos grupos de supervisão e meditação dos quais participei, constituiu-se na sólida base de conhecimentos relativos à Psicologia Profunda, Psicologia Analítica de Jung, Fisiologia e Anatomia Humana, Psicossomática, Técnicas de Abordagem Corporal e Relaxamento, Anatomia Sutil e Espiritualidade que formaram a estrutura e deram o enquadre à toda a minha atuação profissional como Psicóloga Clínica.

Isto já é muito! Mas, acreditem, houve mais…
Por tê-lo conhecido tão jovem, ele teve uma enorme influência na formação do meu caráter, da minha personalidade e da minha conduta na vida profissional e também pessoal.
Que influência melhor eu poderia desejar? Um homem maduro, culto e íntegro.  Com  grande profundidade e amplitude  intelectual e que expressava em todos os seus gestos e atitudes aquela simplicidade verdadeira que só nos grandes homens costumamos encontrar.
Por isto digo: mais do que um professor, Sandor para mim foi um Mestre.
Já no final dos anos 80 tive um sonho. Um daqueles “grandes”  sonhos, que reorientam a nossa vida, e dos quais vamos sempre nos lembrar:
“…uma criança sofria uma parada respiratória e era necessário proceder à algumas manobras corporais (ràpidamente, é claro!) para que ela pudesse voltar a respirar. Eu sabia como fazê-las – já havia feito isto em uma outra ocasião, em minha vida desperta -.Mas, em vez de procedê-las, saí em busca do Sandor para que ele pudesse realizá-las. Quando finalmente o encontrei e voltamos até a criança, ela não mais vivia!”
Acordei sentada na cama, gritando e chorando intensamente.
Imediatamente compreendi que o inconsciente dramàticamente me alertava: ou eu assumia a responsabilidade e os riscos de fazer aquilo que eu já era capaz de fazer, ou uma preciosa vida poderia para sempre se perder.

“Tempo de deixar a proteção e o aconchego da Casa Paterna”

Pedi uma entrevista ao Sandor, contei-lhe o sonho e a minha decisão de me afastar dos grupos de estudo e de seus ensinamentos.
Entreguei a ele um singelo poema onde expressava minha gratidão por tudo o que ele havia sido para mim e também, sinceramente, a minha insegurança diante de um caminho sem a sua proteção!
Sandor abençoou a minha partida: “Malu, quando quiser nos visitar, será sempre bem vinda!”
Já ouvi dizer que “é na separação que se conhecem as almas”. Também neste momento Sandor foi econômico de palavras e generoso na atitude.
Bem… 20 anos se passaram desde este momento em que finalmente ouvi e atendi o chamado da minha alma. O “chamado da aventura” como diria Joseph Campbell.
Pelas “terras” novas e desconhecidas por onde andei, “desertos” que atravessei, “praias”  onde cheguei, trazia sempre comigo um cantil de água pura: presente do Mestre.
Neste meu caminhar, pude  contar sempre com um esqueleto forte (a sólida formação que dele recebi), que recheei com novas e férteis carnes: conhecimentos, vivências e buscas que são o meu caminho pessoal e que são bastante diferentes das buscas e caminhos de meu Mestre.
Neste mês de abril de 2012, quando os alunos de Sandor, entre os quais me incluo,  preparam uma merecida homenagem a ele na PUCSP, quero prestar  também esta homenagem, pessoal e íntima, que mais uma vez expressa meu reconhecimento, admiração e gratidão ao Mestre do meu coração.

ORAÇÃO CELTA
Profunda paz da água para ti.
Profunda paz do ar fluido para ti.
Profunda paz da terra para ti.
Profunda paz das brilhantes estrelas para ti.
Profunda paz, oh Filho da Paz, para ti.