Orixá Ogum, arquétipo do guerreiro

23 de Abril, é o dia consagrado ao Orixá Ogum.
Ogum, na Mitologia Afro-brasileira é o arquétipo do guerreiro

Na cultura popular brasileira, esta mitologia está viva, e se faz presente no cotidiano das pessoas, no imaginário popular, das mais diversas formas. Muito mais presente que a mitologia greco-romana, de origem europeia, hoje domínio dos cultos.
Como sabemos, em nosso país, a mitologia dos orixás foi sincretizada com a mitologia do catolicismo popular através do seu panteão de santos. Isto aconteceu, em parte para evitar a perseguição do Estado (que aqui foi fortemente influenciado pelo poder da Igreja Católica ao longo da nossa história) e em parte porque  esta mesma fé cristã, tão disseminada em nosso país, penetrou profundamente na alma dos negros, brancos, pardos ou mulatos, herdeiros culturais desta mitologia africana.
Na cultura brasileira, Ogum é São Jorge. Santo guerreiro, vencedor do Mal.
É invocado e reverenciado como um grande protetor que impede que “facas e lanças” atinjam seus protegidos. Impede também que “cordas e correntes” possam prendê-lo!
Para este Brasil “branco, preto e mulato” (como dizia Vinícius de Morais), não importa o nome que o santo tenha: Ogum ou São Jorge.

Basta que nos proteja!

O povo, em sua sabedoria, busca algo que transcende os nomes, busca a essência. Busca o arquétipo do guerreiro: forte, incansável e destemido. Capaz de vencer todo o Mal! E pede a sua proteção.
Não à toa, São Jorge/Ogum é o padroeiro de um dos times de futebol mais populares do Brasil: o Corinthians. E a sua “Fiel” torcida, capaz de esperar 20 anos pela conquista de um campeonato, expressa fielmente mais uma qualidade deste santo guerreiro: a sua persistência e determinação.
Como herança psíquica da espécie humana, o arquétipo do guerreiro (assim como outros arquétipos) está presente na alma de todos nós.
Apenas precisamos nos relacionar com ele.
James Hillman, grande teórico da psicologia arquetípica disse: (no homem moderno) os deuses (desacreditados) se tornaram doença…
Melhor então, entrar em contato consciente com estes grandes poderes (deuses ou arquétipos) que atuam em nós.

Ogum em mim se expressa como um guerreiro espiritual: 

aquele que sabe que o inimigo mais poderoso está dentro e não fora de nós.

Sua espada é luz: consciência.
Por isso dispensa escudo.
Brande  sua espada com as duas mãos: a mão do Rigor e a mão da Graça. E dança! Dança porque a vida…  é fluxo contínuo.
Dançando me impregna de Força, Coragem e Determinação.

E você que me lê: conhece o seu Ogum? Conhece o arquétipo do guerreiro que se expressa em você?
Se não conhece, busque conhecer.
Acessar e ativar este poder dinâmico capaz de impulsioná-lo até a Vitória das vitórias: a plena realização do ser.

Saravá meu Pai Ogum!
Ogunhê meu pai!

Se você se interessa por Mitologia Afro-brasileira e Psicologia Junguiana, vai gostar do livro: Ori Axé, a dimensão arquetípica  dos Orixás. José Jorge de Morais Zacharias. Ed. Vetor

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Publicado em 22 de abril de 2012, em Arquétipos, Cultura brasileira, Mitologia afro-brasileira e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Neuzelina Martins Moraes

    felicidades pelo dia de seu aniversário sao jorge guerreieo ,espero ser diguino de ter a vitoria em minha vida , assim como o senhor ogum a detem a muitos e muitos anos , saravá meu pai Ogum meu querido protetor. De Juvenal Alves Vianna Neto. E tambem a minha mulher Neuzelina Martins Moraes.

  2. Salve minha Irmã!
    Peço a Benção ao seu Orixá!

    Vou guardar este texto com muito carinho!
    Obrigado pelo presente!…e vamos sim, em busca de conhecer esse Guerreiro maravilhoso que vive “vivo”, dentro de nós!
    Um grande beijo!

  3. ola querida! adorei sua forma de traduzir Ogum! Certamente eu o tenho bem presente na dança do cotidiano. paz no coração, Márua Pacce.

  4. Sem dúvida você o tem, Marua, até porque podemos fazer o seguinte paralelo: Ogum como Ganesha, é aquele que supera os obstáculos. Portanto: Salve Ogum. Salve Ganesha.
    Um beijo

  5. Adorei o texto Malú. Para mim não é tão fácil utilizar esta força no cotidiano, principalmente numa cidade que me distancia da natureza. Mas quando sinto que ela me oprime, tomo um bom banho de ervas, faço uma prática de Yoga e tudo melhora . Respiro o cheiro de mato e a mente fica mais clara. Quando o meu corpo se cansa fácil sei que esta força está pedindo para se expressar e é melhor ouví-la para me guiar com a sua sabedoria .

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