Arquivo da categoria: Psicoterapia

Homenagem ao Professor Pethö Sandor

Sábado último, dia 28/04/12, prestou-se  uma singela e emocionante homenagem ao Prof. Pethö  Sandor, na PUCSP.
Foi uma grande alegria estar presente a este encontro. Ocasião de rever amigas e amigos, colegas de longa data, que tem em comum não apenas a formação profissional recebida deste grande mestre, mas também uma determinada postura diante da vida e no trato com a Psicologia e sua prática. Esta postura:

  •    considera o ser humano em sua inteireza
  •    tem uma visão integral da saúde que inclui corpo, alma (ou psique) e espírito
  •    tem uma visão holística do estar no mundo que inclui a consciência social e ambiental de forma universal.

O Prof. Sandor nos ensinou a tocar o outro e ser receptivo ao seu toque.
Ele nos ensinou a tocar e ser tocado, tanto no sentido literal da palavra -criador que foi de uma linha de trabalho em psicologia que integra as técnicas de Abordagem Corporal à Psicoterapia de base Junguiana  (C. G. Jung) –  como no sentido mais amplo do termo: viver com a alma, tocando profundamente a alma do outro, e ao mesmo tempo se deixando tocar, sem medo ou resistências indevidas, pelas outras pessoas e pelo mundo à nossa volta

Nesta homenagem, os  antigos alunos de Sandor foram convidados a apresentar em posters o fruto de seus estudos, trabalhos clínicos e intervenções.
Estive presente com 3 posters:
O 1º apresenta uma Monografia sobre o Método da Calatonia

O 2º pôster apresenta o trabalho no Espaço Animarte, trabalho que nos últimos anos, veio se somar à minha atuação como Psicoterapeuta em consultório.


O 3º pôster, trata de uma pesquisa acadêmica realizada pelo Grupo de Pesquisas Khalaó do qual fiz parte.


A apresentação destes posters, foi uma forma de expressar ao mestre a nossa gratidão, na forma de uma pequena retribuição.

 

Se algum visitante deste blog tiver dificuldade em ler os posters, deixe um comentário para que eu possa enviá-lo diretamente para seu email.

 

Terapia de Apoio


Há coisas na vida que não podemos mudar…

Coisas que acontecem… e  modificam o curso de nossas vidas. Às vezes,  para sempre.

Estamos falando de perdas. De grandes perdas.

Perda de um ente querido, perda de um amor, perda de um status de vida, perda da mobilidade, perda de um emprego. Perda de rumo.

As grandes perdas muitas vezes nos deixam paralisados e imersos na dor.

É como se estivéssemos meio alijados do mundo. Num universo à parte, de onde observamos as pessoas viverem as suas vidas:  pessoas que riem, vão a encontros, passeiam, trabalham, como se nada houvesse…

Mas para aquele que viveu ou vive uma grande perda, a sensação que fica é a de não mais pertencer a este mundo onde vivem as outras pessoas. No seu mundo à parte tudo é denso.

Tudo é tristeza, dor e  perplexidade. Às vezes revolta. Às vezes resignação.

Os amigos dizem: seja forte! A vida continua.

Mas, como continuar? Como seguir adiante?

Como falar deste mundo denso para pessoas que vivem e habitam um mundo leve e luminoso, onde o sol brilha nas folhas das árvores. Como falar com pessoas que habitam um mundo onde    planos são feitos  e há esperança?

É para estas pessoas que existe a terapia de apoio.

A terapia de apoio é um espaço. Um tempo e  lugar onde este mundo denso, no qual a pessoa habita, pode ser compreendido, aceito e acolhido.

Onde a dor e a perplexidade podem ser partilhadas com  outro ser humano.

Com um ser humano que não tem receio (nem constrangimento) de entrar neste mundo denso e examiná-lo junto com você. Que tem paciência de ouvir você contar muitas vezes a mesma estória. Recontar mais uma vez a mesma situação. Até que você possa entendê-la, e esgotar todo o conteúdo e intensidade emocional que ela carrega.

    

   E aí, talvez, você possa começar a vislumbrar algo mais…

  Um  outro sentido…

Um outro significado naquela perda…

Um  novo significado para a sua vida.

   E um novo motivo para recomeçar

Para quem já fez Psicoterapia

Algumas vezes sou procurada por pessoas que logo ao chegar comentam:

Vim te conhecer porque um amigo que faz (ou fez) terapia com você me falou que o seu trabalho é diferente. Já fiz terapia há alguns anos atrás e não tenho vontade de fazer terapia novamente agora. Mas, ao mesmo tempo, sinto  necessidade de conversar com alguém.

             Estas pessoas, na verdade estão procurando aquilo que eu chamo de ACONSELHAMENTO ou talvez até mesmo uma Terapia de Apoio.  ACONSELHAMENTO é um nome tradicional para uma reflexão e troca mais focada em questões específicas. E é isto que estas pessoas estão procurando no momento.

             Quando as pessoas me dizem que não têm vontade de fazer terapia outra vez, entendo que elas, agora, não estão motivadas a contar novamente toda a sua história, voltar a falar de pai, de mãe, da infância, de experiências e vivências que estão tão distantes no tempo. Querem ir diretamente ao ponto que as angustia. Querem ajuda para pensar sobre alguma dificuldade que as incomoda no momento: uma decisão que precisam tomar em breve, uma grande mudança em suas vidas, ou algum relacionamento que foi ficando cada vez mais complicado.

              Neste tipo de atendimento, o foco do trabalho, quem dá é o cliente. Juntos, nos concentramos nas questões escolhidas por ele. E é para o exame destas questões  específicas que dirigimos os nossos esforços: para elas dirijo minha escuta, para elas também o cliente dirige o seu empenho.

              Apesar deste nome, ACONSELHAMENTO, minha função não é  “dar conselhos”. Na maioria das vezes, não é disto que as pessoas precisam. Em geral, elas  precisam de ajuda para “desfazer os nós”, soltar os fios.Perceber com mais clareza aquilo que elas mesmas desejam, ou  até mesmo aquilo que elas já sabem que querem mas… há tanto para ponderar…

              E  a psicóloga, então,  atua como uma facilitadora que ajuda o cliente a ouvir com mais clareza e entender melhor o que diz o seu próprio EU PROFUNDO – aquela dimensão interna que existe em todos nós – e que é a nossa expressão  mais ampla e verdadeira.

              Numa próxima ocasião falaremos um pouco a respeito de TERAPIA DE APOIO e suas indicações.

Por que fazer psicoterapia?

Este blog tem por finalidade a apresentação do meu trabalho para pessoas que não me conhecem. Quando pensava a respeito do tema deste primeiro artigo, pensei em dirigi-lo àqueles que nunca passaram pela experiência de uma psicoterapia .Então, me ocorreu uma pergunta: POR QUE FAZER PSICOTERAPIA? Por que as pessoas buscam este tipo de ajuda profissional?

As pessoas buscam este tipo de ajuda profissional, não porque estejam loucas. Em geral os loucos não conseguem nem mesmo buscar a ajuda que necessitam. As pessoas buscam ajuda porque estão sofrendo. E não querem sofrer mais. Não querem mais sofrer tanto assim. E, de fato, não precisam.

De qual sofrimento estamos falando? Do sofrimento anímico, do sofrimento psíquico.Se você tem uma doença física, uma psicóloga não pode curar o seu corpo, mas pode ajudá-lo a lidar com o sofrimento anímico que fatalmente acompanha o sofrimento físico.Mas, não é apenas o corpo que faz com que as pessoas sofram. O sofrimento de origem psico-emocional pode ser muitas vezes até mais doloroso do que o físico, porque é constante, e se não for tratado, na maioria das vezes, tende a piorar.

Uma crise conjugal, vocacional ou existencial não se resolve por si mesma. Não “passa” com o tempo. E ENQUANTO ISTO A VIDA PERMANECE PARALISADA…Para que esta crise encontre uma resolução e a vida possa seguir adiante, é preciso debruçar-se sobre a crise, examinar seus diversos aspectos. Refletir. Este exame e reflexão costumam levar a inúmeras percepções, constatações e insights (compreensão reveladora repentina). Nos insights estão contidos os novos caminhos, a correção de rota e a sugestão de novas formas de pensamento e ação.

A psicoterapia (ou simplesmente terapia) oferece o tempo e o espaço preservado, protegido, que é necessário para que este exame e reflexão aconteçam. E oferece também uma presença humana (a psicóloga) que acolhe o sofrimento em vez de julgá-lo.

Qual é a diferença entre conversar com amigos ou parentes e conversar com uma psicóloga?

Os amigos e parentes queridos certamente o ouvirão com atenção e paciência, uma ou duas vezes. Mas não trinta ou trezentas vezes e, provavelmente você precisará de mais do que duas conversas para entender melhor o que está acontecendo na sua vida. Costumo dizer aos meus clientes: se fosse fácil resolver esta questão, você já a teria resolvido sozinho há muito tempo…Outro aspecto importante, é que a terapeuta não tem um interesse pessoal em que você resolva a sua questão desta ou daquela maneira, o que pode acontecer com seus parentes e amigos, por mais bem intencionados que eles estejam. Além disso, é claro, uma terapeuta passa por todo um treinamento que a capacita a desenvolver uma “escuta perspicaz” capaz de pinçar do discurso do cliente aqueles aspectos mais relevantes, que exigem um exame e reflexão mais atentos, facilitando assim o esclarecimento dos pontos obscuros e da questão como um todo.

E isto acelera o processo da resolução dos conflitos, diminuindo desta forma o sofrimento.

Em outra oportunidade, voltaremos a falar, deste e de outros assuntos. Hoje nos deteremos por aqui.

Alegria e paz