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Querido Mestre

Conheci o prof. Pethö Sandor em 1971 na PUCSP.
Ele era professor de uma disciplina de Psicologia Profunda no 2º ano do Curso de Graduação em Psicologia.
Eu, jovem de 18 anos, fui sua aplicada aluna.
Em suas aulas entrei em contato com a Psicologia Analítica de C. G. Jung – paixão à 1ª vista (ou, melhor dizendo, à 1ª leitura), que se consolidou como um amor de vida inteira!
Foi um grande privilégio conhecer o prof. Sandor tão cedo em minha vida. Permaneci ao seu lado pelos próximos 20 anos, bebendo desta fonte aparentemente inesgotável de conhecimentos teóricos e sabedoria de vida.
O que aprendi com Sandor nos inúmeros grupos de estudo, no curso de Cinesiologia Psicológica (o meu durou quase 4 anos!) e nos grupos de supervisão e meditação dos quais participei, constituiu-se na sólida base de conhecimentos relativos à Psicologia Profunda, Psicologia Analítica de Jung, Fisiologia e Anatomia Humana, Psicossomática, Técnicas de Abordagem Corporal e Relaxamento, Anatomia Sutil e Espiritualidade que formaram a estrutura e deram o enquadre à toda a minha atuação profissional como Psicóloga Clínica.

Isto já é muito! Mas, acreditem, houve mais…
Por tê-lo conhecido tão jovem, ele teve uma enorme influência na formação do meu caráter, da minha personalidade e da minha conduta na vida profissional e também pessoal.
Que influência melhor eu poderia desejar? Um homem maduro, culto e íntegro.  Com  grande profundidade e amplitude  intelectual e que expressava em todos os seus gestos e atitudes aquela simplicidade verdadeira que só nos grandes homens costumamos encontrar.
Por isto digo: mais do que um professor, Sandor para mim foi um Mestre.
Já no final dos anos 80 tive um sonho. Um daqueles “grandes”  sonhos, que reorientam a nossa vida, e dos quais vamos sempre nos lembrar:
“…uma criança sofria uma parada respiratória e era necessário proceder à algumas manobras corporais (ràpidamente, é claro!) para que ela pudesse voltar a respirar. Eu sabia como fazê-las – já havia feito isto em uma outra ocasião, em minha vida desperta -.Mas, em vez de procedê-las, saí em busca do Sandor para que ele pudesse realizá-las. Quando finalmente o encontrei e voltamos até a criança, ela não mais vivia!”
Acordei sentada na cama, gritando e chorando intensamente.
Imediatamente compreendi que o inconsciente dramàticamente me alertava: ou eu assumia a responsabilidade e os riscos de fazer aquilo que eu já era capaz de fazer, ou uma preciosa vida poderia para sempre se perder.

“Tempo de deixar a proteção e o aconchego da Casa Paterna”

Pedi uma entrevista ao Sandor, contei-lhe o sonho e a minha decisão de me afastar dos grupos de estudo e de seus ensinamentos.
Entreguei a ele um singelo poema onde expressava minha gratidão por tudo o que ele havia sido para mim e também, sinceramente, a minha insegurança diante de um caminho sem a sua proteção!
Sandor abençoou a minha partida: “Malu, quando quiser nos visitar, será sempre bem vinda!”
Já ouvi dizer que “é na separação que se conhecem as almas”. Também neste momento Sandor foi econômico de palavras e generoso na atitude.
Bem… 20 anos se passaram desde este momento em que finalmente ouvi e atendi o chamado da minha alma. O “chamado da aventura” como diria Joseph Campbell.
Pelas “terras” novas e desconhecidas por onde andei, “desertos” que atravessei, “praias”  onde cheguei, trazia sempre comigo um cantil de água pura: presente do Mestre.
Neste meu caminhar, pude  contar sempre com um esqueleto forte (a sólida formação que dele recebi), que recheei com novas e férteis carnes: conhecimentos, vivências e buscas que são o meu caminho pessoal e que são bastante diferentes das buscas e caminhos de meu Mestre.
Neste mês de abril de 2012, quando os alunos de Sandor, entre os quais me incluo,  preparam uma merecida homenagem a ele na PUCSP, quero prestar  também esta homenagem, pessoal e íntima, que mais uma vez expressa meu reconhecimento, admiração e gratidão ao Mestre do meu coração.

ORAÇÃO CELTA
Profunda paz da água para ti.
Profunda paz do ar fluido para ti.
Profunda paz da terra para ti.
Profunda paz das brilhantes estrelas para ti.
Profunda paz, oh Filho da Paz, para ti.